familya monstro no teatro Vivo

COLUNISTAS

 

DIB CARNEIRO NETO

Monstrinhos em busca de novos amigos

Aceitação das diferenças é o tema da divertida peça A Familya Monstro, que encerra temporada neste fim de semana
Dib Carneiro Neto

   Divulgação

Incrível como crianças e adultos são fascinados por histórias de monstros, sobretudo se forem criaturas esquisitamente divertidas, ou seja, se a trama puxar para a comédia, além de garantir bons sustos. A diretora Pamela Duncan, que comanda o grupo A Peste – Cia. Urbana, encarou o tema em A Familya Monstro, que termina sua primeira temporada neste fim de semana, e se deu muito bem. Ao que parece, há tempos um espetáculo infantil não atrai tanto público para o Teatro Vivo, no Morumbi.

Minha peça preferida do grupo continua sendo A Fantástica Trupe em…A Princesa Engasgada, que fez carreira meteórica no fim de 2011 no Sesc Pinheiros e, por isso, teve pouca atenção da mídia. A diretora Pamela foi sintética na medida certa e mergulhou com muita classe e talento no universo de Molière, inspirando-se na peça Médico à Força.

Mas A Familya Monstro também é ótima, apesar de não ser tão sintética. Pamela Duncan continua se esmerando na pesquisa da linguagem de desenho animado e de cinema mudo.

Cada vez mais ela e seu grupo se aperfeiçoam nisso. Tombos, trapalhadas, correrias, gags clownescas, tudo muito sincronizado com a trilha sonora (Aline Meyer, sempre craque), fazem do espetáculo uma diversão garantida para a família inteira. As referências mais conhecidas são retiradas, claro, de A Família Adams e do filme O Jovem Frankenstein, mas não deixamos de nos lembrar também do humor clássico de Chaplin, Os Três Patetas e O Gordo e o Magro.

Vale a pena citar o nome de todos os componentes do elenco, pois o talento é homogêneo e a gente percebe uma generosidade entre eles, resultando num ótimo entrosamento em cena: Luiz Fernando Albertoni (Tio Monster), Maurycio Madruga (Franky), Rod Jubelini (Igor), Fernanda Cunha (Frau Frida), Mateus Romero (Carlito Metralha, hilariante) e Gizelle Faria (Julieta).

O cenário, com concepção da própria diretora, é impactante e detalhista, reproduzindo basicamente a porta de uma mansão mal assombrada. Destaque também para a excelente canção final, composta por Claudio Goldman, que contagia a todos e nos faz sair cantando até chegar em casa.

Que bom que não somos todos iguais. Que bom que há pessoas diferentes em todas as famílias. São as oportunas ideias centrais da peça, que felizmente mais diverte do que apregoa. Ao final, a família de monstros engraçados se convence de que não precisa viver confinada no sinistro castelo, pois há gente esquisita solta no mundo todo. Quem discorda?

Serviço:
Teatro Vivo. Av. Dr. Chucri Zaidan, 860, Morumbi, São Paulo, tel. (11) 7420-1520 Sábados e domingos, às 16h. Ingressos a R$ 10 (meia) a R$ 20 (inteira). . Até 16/12.

 

Daniela Toviansky Dib Carneiro Neto, 50, é jornalista, dramaturgo (Prêmio Shell 2008 por Salmo 91), crítico de teatro infantil e autor do livro Pecinha É a Vovozinha (DBA), entre outros. Fale com o colunista

 

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